Por entre as palavras vejo o mover da gota que cai, reflectido pela fosca luz que ainda revive, move-se lentamente, vejo-a, sinto-a quase imóvel. Espelha a dor que se exprime, também ela, vagarosa, a ténue cilada da pressão cingida à imagem, à forma leviana, ao cálix da flor guardada. Desce pela curva do rosto, sem escolher o caminho, porque certa é a linha que adivinha o traço, sem ver ou ter, sem querer perder, é o ritual expresso da dor que acaricia o peito, partido de gente de um amor sem jeito. Ficaria, se fosse, ali parado a suster esse amor de luta, carente do brilho do resto do trilho que falta viver. E vai, se quem não vê a pára, a rara, Ela, donzela da minha seara. E cai com vontade de se querer alongar, nessa ré desesperante e repartir o que falha no restante e não tem a quem dar.
A lágrima
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