Por entre as palavras vejo o mover da gota que cai, reflectido pela fosca luz que ainda revive, move-se lentamente, vejo-a, sinto-a quase imóvel. Espelha a dor que se exprime, também ela, vagarosa, a ténue cilada da pressão cingida à imagem, à forma leviana, ao cálix da flor guardada. Desce pela curva do rosto, sem escolher o caminho, porque certa é a linha que adivinha o traço, sem ver ou ter, sem querer perder, é o ritual expresso da dor que acaricia o peito, partido de gente de um amor sem jeito. Ficaria, se fosse, ali parado a suster esse amor de luta, carente do brilho do resto do trilho que falta viver. E vai, se quem não vê a pára, a rara, Ela, donzela da minha seara. E cai com vontade de se querer alongar, nessa ré desesperante e repartir o que falha no restante e não tem a quem dar.
A lágrima
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Onde estás agora!
Saboreio o adocicado brando da tua presença, tenho mais que a exasperada saudade, carrego mais da inteira distância e da pesada diferença de estados. Mais longe que os kilómetros, muito mais frio que esse fronteiriço espaço, são estas palavras que em desanimo escrevo, se sentires isto como sente o beija-flor, rir-te-ás, nesse caso também saberias de todos os tons e afonias das minhas palavras. Quem seria então quem escreve, se o que escreve não vê. Se sente adorna-se à beleza do seu firmamento e empalidecia o sentimento, mas que vento se o ar não sente, por mente em mente envio eu o meu puro retrato, do amor e do acto que justifica a minha razão. Em arábias ou pilarias sou eu o deambular do sonho e o reflexo do gesto apreendido, que não impele o tímido regresso, sim o mastro que o faz navegar, teima em conter o içá-la, libertá-la, serei eu o portageiro, já nem sei se lemeà-lo-ei ou se o entrego à maré e a ré será de quem o deter, talvez perder… Serei viver, enquanto sentir a maresia nos lábios e o gosto da sua nívea pele. Um dia saberei dignificar a grandeza do que sinto, mais do que a solidão dos dias oferecida à presença romanesca do teu eu, mas hoje, só por hoje, Amo-te mais que ontem e o amanhã deixá-lo-ei lá, para quando tiver os braços maiores e poder de o abraçar como hoje…
sábado, 1 de agosto de 2009
Aguardo-te
Sempre soube que virias aqui, caminhaste, sorriste, cantaste, sentiste, adoraste mas…continuas com um vazio que só a mim pertence, talvez partilhado com alguém, mas nunca preenchido por ninguém. E eu…continuo, justamente onde fiquei…Não demores e não duvides, pois eu tenho a certeza de como serás feliz a meu lado. Por isso estás aqui, por isso tentaste apagar o que nasceu contigo, por tudo o que és e por tudo de melhor que serás. Por nós e pelo cordão que nos une, somos melhores, muito melhores…Esboça um sorriso, sente o meu abraço…estou aqui, AGUARDO-TE...
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